segunda-feira, 18 de maio de 2026

Lembranças



Acordei hoje com lembranças de quando frequentava a casa da minha avó no município de Santa Barbara, na parte alta de um povoado ao qual nos acostumamos a chamar de Candeal Pequeno, mas que, na verdade, o seu nome original é Barrocão. Era uma casa grande, mas muito simples com paredes brancas, portas e janelas de madeira pintadas de azul. Tinha uns três quartos, cozinha, sala e varanda. Ainda não havia banheiro, por isso todas as nossas necessidades fisiológicas eram feitas num “pinico” ou no mato mesmo. Lembro-me de uma vez em que fui com dois primos fazer o chamado número dois, no mato. Eu ainda resisti ao inevitável constrangimento, mas a necessidade falava mais alto. O problema é que, todos por lá já que eram acostumados a essa situação, menos eu, obviamente. Meus primos pouco se importavam se seríamos vistos ou não e, para piorar, a roça não era nenhuma floresta e a mata era rasteira, portando não havia muitos lugares para se esconder. A circulação de pessoas próximas era pequena, mas de vez em quando alguém caminhava por entre as trilhas. Como ali todos se conheciam, os meus primos, para o meu desalento, cumprimentavam os transeuntes com a maior naturalidade do mundo, antes mesmos de sermos vistos. Pensem numa vergonha!

Mas a roça não era só perrengue tinha seus encantos e não eram poucos. O amanhecer na casa da minha avó era divino. Recordo-me de dormir à noite, depois de longas e interessantes histórias, à luz de candeeiros, contadas por minha avó e meu pai, imaginando o dia seguinte. Como havia dito antes a casa ficava na parte alta do povoado, isolada. Logo muito cedo, ao despertar, eu e meus irmãos corríamos para frente da casa. Sentávamos num banco grande de madeira e, encantados, ouvíamos o cantar dos pássaros. Uma neblina sempre cobria toda a extensão da propriedade e não dava para enxergar nada a mais de dez metros de distância. Ainda sinto o cheiro do café que minha avó preparava num forno à lenha. Uma delícia! Eu ficava em silencio, admirando o som da natureza. Havia uma árvore esplendorosa um pouco à frente da casa, do lado esquerdo. O vento batia em suas flores vermelhas, derrubando-as ao chão. Antes que percebêssemos a chegada de algum visitante os cachorros começavam a latir. Só mais tarde conseguíamos ouvir as passadas de cavalos. Geralmente era um de meus tios trazendo o leite. Ao chegar ouvia-se o ranger da porteira (lá, chamavam de cancela) ao se abrir.

Adorava o café da manhã! Café, leite (tirado da vaca, logo cedo), batata, pão, inhame, bolos. Tudo muito natural e delicioso. Vivia-se de uma forma modesta, mas havia sentimento, havia acolhimento. Muitas saudades desses tempos!

sábado, 11 de abril de 2026

Plante!


Quem planta, seus males espanta 

Encanta-se, faz terapia 

Quem planta, semeia vida

Pratica o amor, faz poesia


Não tema pôr as mãos na terra

Isso renovará suas energias 

Seja dedicado, contemple o verde 

Sinta sua força, sua magia


Não tenha pressa, seja paciente 

Um jardim onírico não se forja em dias

Cada planta tem o seu tempo 

Dê asas à sua fantasia 


A natureza nos presenteia

Com sua abundância e variedade

Imagine a cidade em meio a um jardim

Em vez de um jardim espremido na cidade.

sábado, 28 de março de 2026

Honestidade


A honestidade total existe? Por definição, sim. Realisticamente, não creio. Afinal, quem sempre foi sincero quando perguntado se estava bem ou não, por exemplo?

Mas isso diminui a importância de a praticarmos? Com certeza, não! Muito pelo contrário.

Não se trata de uma questão de perspectiva,  mas de consciência. Além, é claro, daquilo que nos é imposto enquanto membros de uma sociedade: a lei.

Tem quem tente colocar todo mundo no mesmo balaio, dizendo que quem conta uma mentira ou fura uma fila, por exemplo seria tão desonesto quanto alguém que cometesse uma fraude milionária.

Nada a ver!

O primeiro, talvez um dia, seja alcançado pela sua consciência. O segundo, por sua vez, deveria ser alcançado pela lei, mas isso nem sempre acontece. 

Muito provavelmente, quem comete fraudes já furou algumas filas e, com certeza tornou-se um mentiroso contumaz. 

Portanto, temos uma legião de fraudadores, em potencial, por aí. Seja por ação ou omissão, seja por conivência ou conveniência.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Ser Feliz

 Amanheci, com o pensamento voltado pra ti

Perguntei porque não estás mais aqui, ao meu lado.

Descobri um sentimento que não pensava existir, e por isso eu me arrependi de tê-la afastado 

Agora sei, o tamanho da dor que causei

Eu estava errado 

Só queria, ter o dom de poder reverter, de modificar o que aconteceu, mas não dá para mudar o passado 

Só resta a mim, levantar a cabeça com altivez e tentar mais uma vez

Ser feliz! 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Devaneios


Não me venha com suas dúvidas 

Minhas certezas não são absolutas

Todos querem decidir com propriedade 

Independente das adversidades 


O meu destino me é sonegado

Não sei o que há por vir

Meio sem rumo aqui e acolá 

Meio perdido aqui e ali


Desorientado e sem perspectiva 

Tento proteger-me da ilusão 

Terei um futuro promissor?

Terei uma vida com razão?


Se não for pedir muito

Um dia, poderei me encontrar?

Mesmo em meio à escuridão profunda 

A minha identidade quero enxergar.

sábado, 14 de março de 2026

Sol

 Olho para o horizonte e o sol ainda não apareceu.

Será que ele esqueceu?

Será que já era tarde quando ele adormeceu?

Espero o seu brilho com ansiedade.

Será saudade?

Ou será a necessidade de sentir o seu calor?

Seus raios de luz me trazem alegria.

Alegria para enfrentar um novo dia.

Venha sol, apareça, nasça, cresça.

Abrace-me!

domingo, 1 de março de 2026

Saber Escutar


Discussões, por si só, já são deveras estressantes. Ainda mais quando a gente sabe que ouvir não é, necessariamente, o mesmo que escutar.

Geralmente, numa conversa em que há pontos divergentes, enquanto um dos lados discorre com seus argumentos, o outro já começa a bolar estratégias de como irá reverter a fala do oponente, sem ao menos prestar a devida atenção em seu conteúdo.

As pessoas têm dificuldade em escutar o outro, e de se escutar, também! Na tentativa de "ganhar" uma discussão há quem se utilize de uma série de manobras para confundir, descredibilizar, ou mesmo ridicularizar o seu interlocutor. Quando tudo poderia ser uma troca de ideias, onde ambos sairiam renovados. Não sabemos de tudo. Sempre tem alguém que sabe algo que nós não sabemos. 

Um psicoterapeuta chamado Carl Rogers teria dito que "A maioria de nós não é capaz de escutar...". Por ele, antes do contra-argumento, aquele que tem a vez na fala deveria fazer um resumo do que o outro disse (levando-se em consideração as ideias e sentimentos expostos), para se ter a certeza do seu entendimento.

Já vi isso acontecer, mas me parece um tanto quanto raro.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

É assim....

 Espero não perder meu senso crítico, se é que eu o tenho, mas independente de qualquer coisa, serei mais cauteloso e criterioso ao tecer críticas e comentários. Continuarei fazendo a quem me for caro, pois prezo por algumas pessoas. Pessoas que sabem admitir, por vezes, estar erradas. Pessoas que sabem e querem diferenciar as críticas construtivas daquelas que devem ser ignoradas. Descobri que não vale a pena tentar ajudar a pessoas que podem até ouvir, mas que parecem ser incapazes de escutar.

De repente, quem sabe, eu estivesse apenas lutando, esse tempo todo, contra moinhos de vento.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

   Tolerância ao intolerável ou conivência a depender da conveniência parecem coisas contraditórias, mas são apenas comportamentos observados em nosso dia a dia. Junte-se a isso a impaciência constante e o aumento das distrações.

    São ingredientes que podem explicar o caos cotidiano em que vivemos. Ops! Não se pode esquecer da pressa. Tudo parece merecer urgência. "Na correria", como dizem.

 Esse modo de vida, favorece aos manipuladores. Pessoas que agem como se fossem "estrelas guias" sugerindo estarem aptos a mostrar o melhor caminho a seguir. Na verdade, aproveitam-se da boa-vontade, da ingenuidade e (por que não dizer) da cômoda alienação intelectual, comportamental e emocional das massas, para atingir aos seus objetivos vis.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Sem Problemas

É inexplicável o quanto muitos daqueles que detém o poder no Brasil sofrem críticas. São tachados de interesseiros, gananciosos, hipócritas e dissimulados. Dentre outros impropérios. Não parece ter nenhum fundamento. Afinal, o país é recheado de bons exemplos!  

Ainda temos os órgãos de controle, não esqueçam! Quando um malcriado faz alguma traquinagem, recebe uma bronca: "olhe, eu vou deixar passar dessa vez, mas se insistir no erro, vou puxar sua orelha. Está avisado!".

Quem, em sã consciência, ousaria desconsiderar tal advertência?

Podemos ficar tranquilos!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Doce Ilusão!

 Seria um apelo à sorte ou uma corrida insana num labirinto de probabilidades?

A esperança e a ilusão se confundem. Todos sabem que as chances de sucesso são remotas, mas poucos têm a coragem de dizer não a uma "fezinha".

"Sonhar não custa nada!", já disseram. 

Jogar em loterias faz parte do quotidiano brasileiro, principalmente quando o prêmio está acumulado. As chances de ganhar não aumentam proporcionalmente ao quão gordo possa estar o prêmio, mas ninguém liga! Vai que a sorte resolve aparecer. Se a frustração chegar primeiro, siga o conselho de Raul: "tente outra vez!".

Lembranças

Acordei hoje com lembranças de quando frequentava a casa da minha avó no município de Santa Barbara, na parte alta de um povoado ao qua...