quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Blog do Gilvan Torquato: Conto XV

Blog do Gilvan Torquato: Conto XV: "O Lobo Dono de um pelo preto e cinza, olhos claros e reluzentes à noite, dentes afiados e garras poderosas o lobo da montanha era temido p..."

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Conto XV

O Lobo



Dono de um pelo preto e cinza, olhos claros e reluzentes à noite, dentes afiados e garras poderosas o lobo da montanha era temido por todos e considerado um animal muito malvado.

Chateado com as acusações de ser cruel e de ter comido a vovó da Chapeuzinho Vermelho o lobo resolveu desabafar:

— Não agüento mais isso! Todos me culpam sem saber da verdade.

— Que verdade seu lobo? — perguntou o leão que estava deitado, se espreguiçando.

— O verdadeiro vilão da história não sou eu.

— Como assim, e quem seria?

— A Chapeuzinho! Ela é que é a vilã.

O leão não acreditava no que dizia o lobo. Espantado, perguntou:

— Quer dizer que você corre atrás da menina, come a vovozinha e ainda diz que a vilã de tudo é a Chapeuzinho?

— É ela, sim! — afirmou o lobo aos prantos — aquela desalmada sempre me atormentou.

— O que está dizendo seu lobo? — retruca o leão — como pode acusar uma menina tão doce de atormenta-lo?

Ao ouvir o elogio do leão à garotinha o lobo se desmancha ainda mais em lágrimas, não consegue se conter e acaba chamando a atenção dos demais habitantes da floresta e uma aglomeração forma-se ao seu redor.

— Queridos amigos vou lhes contar quem é a verdadeira Chapeuzinho.  Vocês irão ficar sabendo e me darão razão em relação à revolta que eu venho sentindo.

Todos permaneceram calados, aguardando o pronunciamento do lobo que mais parecia uma ovelha chorona.

— Eu sempre andei próximo à casa da vovó, ela criava galinhas suculentas e eu, esfomeado, só queria fazer uma boquinha. Mas nunca, nunca tentei pegar uma galinha sequer. Apesar disso a Chapeuzinho vivia jogando pedra em mim, me chamava de narigudo e de orelhudo. Não fiz nada àquela pirralha e era tratado como um cão sarnento. Depois de sofrer muita humilhação resolvi me vingar e fui até a casa da vovó e a tranquei no armário. Vesti as suas roupas e esperei aquela pestinha. Só queria dar um susto.

— E aí? — perguntou o leopardo que chegara naquele minuto.

— Cala a boca leo, deixa o lobo terminar — disse o leão com cara de poucos amigos.

— Ta bom! — retrucou o leopardo — pode continuar, não ta mais aqui quem falou. Eu,
hein!

— Tudo bem! — retomou o lobo — Como eu ia dizendo eu só queria assusta-la. Não faria mal nem a ela e muito menos a vovozinha. Ao contrario de mim, aquela chata e mal criada sabendo que era eu quem estava na cama vestida com as roupas de sua vovó e, fingindo não saber, pegou uma frigideira bem pesada e bateu no meu nariz dizendo: “que nariz grande vovó! Pra que serve?” Depois de ver estrelas de tanta dor eu respondi que era para cheira-la melhor. Não satisfeita a filha da mãe puxou minhas orelhas e perguntou: “porque orelhas tão grandes, vovó?”. Com o puxão eu acabei caindo da cama e fraturando uma perna. Não aguentei
 mais e resolvi mostrar quem eu era. Fiz cara de mau e deixei meus dentes à mostra.

— E aí seu lobo, o que aconteceu? — perguntou o leão.

O lobo não disse nada, apenas mostrou sua boca com três dentes a menos.

 Já morrendo de pena do lobo o leão pergunta-lhe:

— Ô seu lobo onde entra o caçador nessa história?

— Boa pergunta seu leão! — disse o lobo — não teve caçador nenhum. A vovó conseguiu sair do armário com uma espingarda e encheu meu rabinho de chumbo.

— Você acha que a gente vai acreditar nisso tudo? — perguntou o leão.

— E tem mais — disse o lobo — espere ate eu contar o que aconteceu, na verdade, com os três porquinhos. Aqueles insensíveis!

















Amor Insano

Se um dia eu esquecer de dizer que te amo, eu não estarei bem Por ti eu empenharei todo o meu pensar, e irei mais além  Nada farei que a dei...